quinta-feira, 30 de abril de 2009

Untitled #8

Olhavam-se. Não conseguiam - nem queriam - desviar o olhar. Não haviam trocado uma palavra sequer até o tal instante. O mundo se resumia àqueles dois e aos desenhos que estavam fazendo um do outro. E só se olhavam, sem uma palavrinha. Na verdade, não precisavam de palavras. Ali, naquele momento, conseguiam provar de que se fala muito mais com os olhos do que com palavras. ‘Palavras podem errar. Olhares, não.’, pensavam. Era como se estivessem esperando por esse momento há muito tempo, mas não queriam que acabasse.

Sorriam como nunca. Analisavam cada milímetro do rosto do outro.

-Eu te amo.
-Oi? - Parou de desenhar e olhou diretamente nos olhos.
-Eu te amo...
-Mas o que é que...
-Eu te amo!
-Você... Está se sentindo bem?
-Claro! Eu te amo!
-Não sei o que dizer...
-Tome um gole de café... Você se sentirá melhor.
-Não... Não é isso... Acho que...
-O que você sente?
-Eu gosto muito de você.
-Você também?
-É. Eu amo você.
-E agora? – sorria docemente, como se o tempo tivesse parado naquele instante.
-Podemos fazer qualquer coisa... Ir para qualquer lugar... Para mim, só você basta.

Desviando a direção dos olhos pela primeira vez, pagaram por todos os cafés que não perceberam ter tomado durante toda a tarde naquele lugar. Mas não importava. Naquele momento se davam o benefício do egoísmo. O que importava era que estavam lá... Isso bastava.
Parou. Pensou um pouco:

-Para que amar?
-Por que não amar?
-Não, não... Por que isso tudo?
-É bom, né?
-Mas... Espere... Veja: por que amor? Para que amor? O que é amor? Você sabe?
-Não, não sei. Mas sei o que sinto. E sei que é amor e eu... (gosto).
-Você acredita mesmo nisso?
-Quando a gente sente, não precisa acreditar. Está ali, basta perceber.

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