quinta-feira, 30 de abril de 2009

Alucinação

O vento gélido que a lua sopra
Bate em minha pele e meus ossos toca,
Sobe-me um calafrio.
Passam por mim assombrações velozes,
Milhões de imagens e milhões de vozes,
Fluindo como um rio.

É justamente à noite, esta mãe sombria,
Que olhando ao homem eu nele só via
O seu miúdo existir.
E as estrelas, que rodeavam sua rainha,
Formavam uma criança celeste que vinha
Alentar o meu dormir.

Era este céu noturno que eu observava
Parecia-me glorioso, como que estava:
De luz prata a se banhar.
E o célebre espetáculo da estrela cadente
Que do firmamento descia, e num repente,
Convidava-me a sonhar.

E sonhava, a cada instante e a cada momento,
A eternidade cósmica que no céu represento,
Que alucinado ansiava ter.
Mas depois despertava, suarento, a berrar
E ouvia novamente a lua triste suspirar,
E o vento sussurrava: Morrer...

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