domingo, 3 de maio de 2009

Crônicas Carpe Diemnianas volume quatro: Metamorphosis

Desciam a rua de mãos dadas.
Era um sentimento estranho, aquele de saber de que o contato - agora já tão cotidiano - de suas mãos não tinha data de retorno. Uma mudança que na realidade nem passava pelas duas cabeças enquanto desciam despreocupados aquela rua relativamente tranquila em uma tarde ensolarada de terça-feira.
- Já vai esfriar - disse. O frio vinha com o escuro naquela época do ano.
Sentaram-se em um banco na praça, vendo as pessoas passarem. Quanto mais o sol descia, mais pessoas passava. Mas estavam ambos desligados de tudo: eram seu próprio mundo naquele dia e só se apercebiam do pôr do sol - tão difícil de se ver entre tantos prédios e construções, mas que em nenhuma ocasião perde sua beleza e sua mágica.



- Vou comprar um maço de cigarros. - Disse após constatar com uma leve batida na perna qze o seu já tinha acabado.
- Mas você já fumou tanto hoje...
- É...? - Disse levantando-se, procurando em sua mente uma razão para ter fumado tanto. Não encontrou nenhuma.



- Meu ônibus já parou de passar... Meus pais vão me matar amanhã
- Tudo bem... - disse se levantando e puxando o maço do bolso - É melhor irmos para o ponto, de qualquer jeito.
E foram. Para o outro lado da rua, na verdade. Um movimento já automatizado pelo tempo.



- Meu ônibus já vem.
- Tudo bem, vou com você.

Pela primeira vez pararam perto de casa, e pela primeira vez viram aquela rua sem carros, sem apresentar nenhum obstáculo para que cruzassem.

- Bom... acho que aqui nos despedimos...
- É... Quando vou te ver de novo?
- Não sei... - perdia a voz.

- Já tinha pensado nisso?
- Já... só não queria acreditar que ia ficar tão... tão para agora...
- É...
Tirou a jaqueta e jogou em volta do corpo que tinha nas mãos. Tinham que ir, ambos.



Chegando em casa via o nascer do sol.
Completamente diferente.

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