terça-feira, 12 de maio de 2009

Crônicas Carpe Diemnianas volume seis: Ágætis byrjun

Casa... nada como ir para casa. Apesar de que, mesmo em casa, já não me sinto como antes... é como se a casa não fosse mais minha, como se alguma coisa lá me incomodasse.
Entrei em casa e dei um 'boa noite' desatento para meu marido, ou para a televisão ligada, não vi. Não quis olhar.
Fui para o quarto tirar o casaco - dentro de casa é insuportável usar roupas tão pesadas.
Tinha fome.
Fui até a cozinha; encontrando-o lá só peguei um copo d'água e fui para a sala.
Qual não seria a minha surpresa ao encontrar um homem que nunca vira, sentado em frente à minha televisão, com um balde de pipoca entre as pernas?
Voltei.
- Quem é?
- É...
- Que foi? Arrumou mais problemas ou o que?
Vi o cinzeiro, já praticamente cheio, e instintivamente procurei pelo maço de cigarros no bolso direito.
Chamou-o.
- Esse é...
Expectativa.
Outro cigarro.
Ele corou.
O homem veio em minha direção e me estendeu a mão:
- Prazer, eu sou o namorado. - mantinha um sorriso no rosto, talvez como quem me dissesse que assim não era traição.
Choque.
Caio sentada.
Choque?
Olho para meu marido: alívio, relaxamento.
Foi inexperado, mas quando vi meu marido e seu namorado sentados do outro lado da mesa, mãos dadas, me senti estranhamente bem.
Foi como se um fardo tivesse sido retirado das minhas costas, e de repente o mundo ganhasse cores de novo.
- O que vão fazer?
- Ele tem um apartamento, vou me mudar para lá.
- Certo...
- Que foi?
- Nada... - sorri - digo: tudo de bom para vocês dois - e pela primeira vez em muito tempo sorri sinceramente para meu marido.
E ele sorriu de volta.

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