domingo, 17 de maio de 2009

Crônicas Carpe Diemnianas volume sete: Jeroen Van Aken

Estava sentado esperando o seu cappuccino. A letra que acompanharia já sabia: recebia sempre a mesma.
Agonizava.
O que esperava não era o cappuccino. Ansiava por esse momento o dia inteiro. Vivia só para chegar essa hora em que a veria passar pela porta, em que finalmente se encontrariam. Cada momento que vinha depois fazia com que o dia parecesse longo demais, inútil, arrastado - apesar de que após apenas cinco minutos o dia já era uma realidade distante, quase uma história lida em um livro.
Não marcavam hora, mas se encontravam ritualmente todos os dias.
Já começava a ser tomado pela angústia. Não sabia quanto tempo já esperava: horas, pensava, ou quem sabe apenas poucos minutos eternizados pela espera.
Viu-a: as sapatilhas - sempre pretas -, os jeans - sempre colados -, o suéter - sempre masculino e alguns números maior -, o cabelo - sempre solto e escorrido -, e o sorriso... o sorriso que o conquistara, o sorriso que o fazia sorrir. A visão que procurava, em vão, por todos os cantos; e que só conseguia encontrar ali. Há muito tempo a única coisa que conseguia ver.
É difícil retratar o que aconteceu depois, difícil precisar quanto tempo se passou.
Normalmente, se diria que não fizeram nada: tomaram um café junto, e foi isso. Mas para aqueles dois, aquele café é muito mais. Falaram, brincaram, sorriram, comeram, beberam. Aquele café era sempre acompanhado de mundanices preciosas, mundanices que só não era mundanices ali.

Já era quase hora, os dois sabiam que em pouco tempo teriam que ir embora.
- Tem uma coisa que eu preciso te falar... - começou.
Começou, mas emudeceu. Perdeu as palavras enquanto sentia o mundo se distanciando; não conseguia.
Como falar para a mulher que você ama que é tudo um sonho? Que ela é um sonho? Que o café, as risadas... não é possível...
- Por favor... Nunca deixe de vir me ver... Vou estar sempre aqui esperando por você...
Ela não conseguia entender.
Começou a ficar tudo muito claro, as imagens todas embaçando. Não distinguia mais onde estava, se continuava o sonho ou se já tinha emergido na realidade dura e sem cores.
Enquanto abria os olhos, a única coisa que via era aquele sorriso. Na mão, um guardanapo onde lia: "Vou estar aqui esperando por você para sempre, e provavelmente depois disso ainda vou continuar esperando".

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