sábado, 2 de maio de 2009

Crônicas Carpe Diemnianas volume três: É, morena

Chegou um pouco atrasado. Estava sentado em um café nas redondezas escrevendo cartas, tão entretido que quando checou as horas seu primeiro instinto foi pedir a conta: três expressos com chantilly e um maço de cigarros. 'Nada mal', foi o primeiro pensamento, seguido por um 'ainda bem que trocam os cinzeiros de tempos em tempos', colocando os cigarros no bolso enquanto saia.
Não foi difícil encontrá-la, estava no lugar de sempre e não conversava com ninguém.
- Vamos?
Começaram a andar, as mãos se juntaram. A conversa achou seu rumo sozinha, e os quarteirões foram vencidos um a um, vagarosamente.
Já chegavam em casa, e como de costume pararam um pouco antes. Já não falavam nada desde o final do último quarteirão. Inconscientemente, estavam ambos decididos a resolver a tal situação.
- Olha... - ela começou - Eu gosto muito de você.
- Também gosto muito de você, é...
- E acho que isso realmente daria certo, não acha?
- É que... não sei se quero isso... - falou, tão baixo que foi quase para si mesmo. - Não sei...
- Mas... Acho que nós só vamos descobrir tentando, não?
- Não sei...
- Que foi? Que acha que pode dar tão errado?
- É só que... - hesitou, perdeu as palavras por um instante - ...não vai dar certo. - Se recompôs. - Não vai dar certo, sei que não vai...
- Mas...
Tinha encostado no muro, e agora olhava na direção oposta a ela, onde o sinal ficara verde e os carros cruzavam.

- Acho que é isso então... - ela quebrou finalmente o silêncio.
- Pois é... - não tinha mais o que dizer, mas não suportava não dizer nada.
Ela checou o relógio:
- Acho melhor subir...
- Tudo bem...
Se despediram, e ele esperou ela desaparecer por detrás do jardim de entrada.
Começou a fazer o caminho de volta.
Tentava ao máximo não pensar sobre o que tinha acabado de fazer. Puxou os cigarros, quem sabe ajudariam. Pensou em voltar ao café, mas achou melhor ir para casa, podia tomar café em casa também.

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