quarta-feira, 13 de maio de 2009

O fim do dia

O Começo do fim do dia (dedicado ao taxista)

Quarta-feira. É um dia que demora a terminar. Abstendo-me de contar-vos os pormenores que permeiam o meu dia, vou direto ao começo do fim deste. Às nove horas da noite entro num táxi e digo automaticamente: “Para a Serra, por favor”. Qual não é a minha surpresa ao ouvir “só levo para o Venda Nova”. Brincadeirinhas à parte, o taxista guia para o endereço correto. No meio do caminho, em mais uma brincadeirinha, tenho a oportunidade única de ouvir uma narração à moda futebolística de um enterro, que terminava mais ou menos assim: “Enterrooooou, e ele voltou pra casa R$5.000 mais pobre”.

Na ânsia de descer do veículo, paro um quarteirão antes, na padaria. Compro um cigarro picado e uma cerveja long neck. Efetuada a transação sento-me numa bancada entre a padaria e a farmácia. Por algum tempo observei o ônibus que passava, a mulher que esperava no carro enquanto a amiga buscava duas latas de cerveja e os velinhos que saíam do estabelecimento rumo ao lar. Esse momento durou aproximadamente um cigarro fumado a tragadas profundas. Ao fim, minha mochila já não pesa um dia inteiro.


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O fim do dia (dedicado ao porteiro)

Ah! Como se eu pudesse terminar meu dia de maneira tão poética e relaxante. Mas não, resta-me o caminho até o computador, de onde vos escrevo. Da bancada onde estava sentado, caminho aquele quarteirão até a portaria do prédio. Espanto-me quando recebo das mãos do porteiro um jornal que não queria ter assinado (vou ligar reclamando que o tempo de assinatura já acabou). Mas, acalmem-se, não é por isso que dedico esta segunda parte ao porteiro. O infeliz amigo grita meu nome, quando já me encontrava pelas escadas do prédio, e conta-me a mais nova piada que circula na torcida do Cruzeiro (o desprazer desse momento concentra-se na piada, não nos times em questão). Tento desvencilhar-me do piadista o mais rápido possível, entrando no elevador. Vou direto ao banho, onde gasto alguns breves minutos. No caminho para o computador ouço algo como “pegue suas roupas sujas”; ligo o computador. Escrevo-lhes. Já não sei quanto pesa minha mochila.

Um comentário:

  1. velhinhos; como se eu pudesse terminar meu dia (esse segundo não fica claro se você deixar como está aí)

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