sexta-feira, 1 de maio de 2009

Uno

Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: pronuncia-se. Indivíduo a cogitar, indivíduo nu. Apoia-se sobre uma pilha de tomos. Gesticula gravemente, exprimindo suas inconsistências. Movimenta-se em seu meio, ambiente a se experimentar, relaciona-se com os demais. Recai sobre seu trono desleal. Torna a cogitar, indivíduo nu.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: sem reação. Os outros que o rodeiam são raros, são populosos. Camadas de pessoas, órbitas de cabeças. O indivíduo em seu meio a ser pesquisado. Ambiente a ser explorado. Não se escuta os demais, eles se movimentam, esferas todos. Muitos pulsos frementes, gargantas exorbitadas. Círculos que se encaminham a finalidade nenhuma.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: urbe. Da chama lacrimal se faz tempestade, chuva branda. Pés sobre paralelepípedos, todos tolos indivíduos. Ninguém se pronuncia, a verdade dormita latente, desacordada, não despertará. Ela é desconhecida e ninguém se ousará pronunciar aleatoriamente. Folias desenraizadas se desenroscam das tempestades de asas, ninguém despertará. Alguém sabe que dorme, mas outros não o sabem. Ninguém dorme de fato, alguns muitos, raramente, dormitam. Verseja-se sobre peculiaridades, indivíduo nenhum. Alguém nada pronuncia – alguém não se pronunciará. Indagou-se já em outrem. Camadas da superfície.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: como se percebe. Agitam-se os impulsos sensórios. Vagas de impulsos sensórios. Nada se volta para os demais, que se memorizam. Torsos populosos se agitam, pulsos frementes desenroscados dos ventos. Empilhados sobre a memória. Memoriáveis situações individualizadas. Pélagos frementes como punhos. Oscilações de temperamentos. Um que se vê pelo caminho tropeça, desfeito. Um.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: involução. Invólucro, carapaça armada. Expelem-se lanças. Cimitarras desenroscadas dos tempos. Tentativas de conciliação, atentados tardios. Fios desenlaçados dos tecidos que os recobrem são novamente percorridos pelas palmas aviltadas. Uma trama rejuvenescida. Indivíduos nus que se recobrem com mantos.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: experimentação. Crânios acoplados entre si. Repelem-se. Rachaduras se estendem em fendas que se aprofundam. Alguém avista algo, outros aviltam algo. Desnecessários os convívios. Palavras impressas em tecidos se mutilam mutuamente. Os tecidos viram tomos, troncos nus que um corpo revestido escala. Toques e encontros perceptivos se enveredam por vielas dos braços. Ramos de músculos fibrosos que tombam com a brisa. Desperdiça-se uma sombra depositada sobre a relva, acúmulo de tênebras. Cada um diminui em substância sob as marcas nimbosas impostas sobre si. Desconexão. Fecham-se as luzes para os arredores que começam a se esmagar.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: abstrato. Concretizam-se fenômenos nas escadas amontoadas, delimitam-se caminhos. Todos circulares, revoltos, envoltos em si. Os passos enviados a distância. Encouraçados ancorados em baías nevoentas. Reflexões espiraladas, consumindo-se internamente. Nada emana nada. Forças que se unem por encadeamento multipolar. Figuras que se acossam e se assediam. A perda do fôlego, hálito, alento. Resfolegantes figuras que se perpetuam na discórdia. A discórdia, o movimento, a unificação inabalável, união inalcançável.
Nível zero. Sem evolução alguma.
Indivíduo um: coletivo. Criaturas que se repelem em desordem. O caos soberano. Cólera comprimida em dois atos. Átomo zero, século zero. Ano nenhum – era pagã. Solstício do equinócio, eclipse terrestre. Invariavelmente. Encaminham-se as três sombras, veleidades diáfanas que se complementam. Pairam os silentes ecos daqueles vales. O córrego que se agiganta por entre os hemisférios é que se complementa. Esferas que nunca se chocam.
Nível zero. Sem evolução alguma. Tratado sobre a incomunicabilidade.

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