segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Cançoneta"

Olhos curiosos pela janela
Quem é ela, quem é ela?
Era um anjo, céus, tão bela!
O céu se punha a dormir
E os raios níveos do devir
Brilhavam no cabelo dela.

Uma aura forte de ariana
Uma sutileza tão italiana
Que tão somente ela emana.
Um trovão branco de ar tirânico,
Um retumbante mar germânico
No sol dourado da semana.

E nos olhos orvalhados teima
O anil incerto que ali reina
E adoça a vida, uma guloseima.
Carvalho russo de nevada copa,
Uma tez fria como a Europa
Que minh’alma de poeta queima.

Um sentimento, uma poesia lida
Uma mulher de lágrima contida,
Uma raça, uma glória esquecida.
Possa tu, que observo de relance
Deixar que minha mágoa descanse
E ensinar-me a amar a vida.

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