sábado, 27 de junho de 2009

Tarde de inverno

Mais uma vez, estava eu deitado lá
Com a janela fechada
Nenhum vento entrava
E eu não fazia nada, deitado no sofá.

O mundo girava, e a vida fora rugia
E eu sonolento, deitado
Avistei algo inesperado
Havia algo errado, na minha sala vazia.

Pensava num lugar, em algum lar ao sul,
Quando aquele “algo” acolho,
E a qualquer sono me tolho:
Era acinzentado, como meu olho, era azul.

Era uma gota anil, uma matéria anormal,
Algo nunca antes visto
Algo híbrido ou misto,
Seria um visitante malquisto, algum mal?

Ela entra devagar, vagarosa pelo vidro
Eu imóvel, só observava
Ela ganhava espaço, flutuava
Furtivamente adentrava, iria falar comigo?

Ela se aproxima, sem fraquejar avança,
Nem mesmo toca o solo
Vê que eu não me controlo
Então pousa sobre o meu colo, e dança!

Que criatura bela! Sem nenhuma falha!
Era uma alma do Elísio
Era um fauno de Dionísio
E num movimento metafísico, se espalha!

E seu azul se torna uma cor vazia
E se expande até a monotonia:
Era o sofrimento infeliz do tédio.

Era o fruto mais horrendo do ócio
Um espírito vagante e capadócio
Que adentrara o vidro do meu prédio.

2 comentários:

  1. Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
    Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
    While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
    As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.

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  2. hahaha, não tinha pensado nisso, até que ficou parecido (embora nem se compare a Poe).

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