sábado, 6 de fevereiro de 2010

PERPETUUM MOBILE


Juvenilia. Ecoadas das Cigarettas. A juna Filla àuscultar Jazzes hispanizatos.

- Qu’é que tu vens de mim, Padre?

Juvenilia lui demanda. Sus Óquios quiusos e oscuros d’um’Infantina pérfida lhe manjam tù la Forme. Ella seraì vulnerábel. Avecom sus Misdemenuras de quim rolda un’Afectatiõ d’autras Âges, Gesturas pleinas de seus Messieurs-Dames.

- Qu’é que tu saves, m’Infanta?

- Non lo sei, mon Padre. C’é tù confù pur me.

- De que tu parlas, mi Pequenha?

Ella sente uns Frissonamentos lhe correrem pelas Jambas alvinas. Y há um Tremor que l’atraversa tut’inteira, que la percourre pelas Épolas àtingir sus Dedos que tremeluzem. Sente-se ella defalhir, tombar a evanuir, sen Adornos aos quais clingar seu Cuerps decuvèr.

- Pater mio, il y há qualque Chosa que non puedo graspar bienamente em tù celà. Cerco pr’uma Fluida mater, um Totencompassamento das Chosas. É-se que puedes-t m’aydar?

- Dire mia, que puedo-j? Soy Tutor a ti, maì Atributiones mignas são totas de montrar-t teus Alluros.

- Ma Seignore, non retengo-j Tenura qualconqua sur las Chosas del Mondo. Tù m’evanesce, tù m’echappa das Mãnos.

Él agora regard’as Jambas lungas de Juvenilia em seu Stupor. Ellas mantênem um Rhithm legero, ligeiro, que s’étende em Rábia madescente jusqu’aos seus Lèvros. Él deduce qu’ella é tuta Char, Fleischa.

- Chera, és domada. N’aguarda qu’à Damnaçõ. Jo que t’atend’en totas tuas Prièras clementas.

Ella descend’as Escalieras allungadas, enroscando pêle-mêle suas jupas nos Balaústres de Marble, Ivoar e Velùr. Sangre bombinante a gushar de ses Pechos desencarnatos. Garda no Collar um’Ardência fiéria. Se precipita tut’inteira par os Porches très altivos, derriband’en Fallida par’la Nège que l’atenta afora. Éclat’a Tempêste blanca que lui fa Paura grave. Vênem Desiros ernestos de Flita, d’Escapo.

Dè qu’um rentra dan la Zone, il n’y há que des Umbras d’um Mondo sins Soleil. Soledade. Las Lumièras lhe slasham las Joues. Enrugescem suas Fituras que conformam sa Complexiõ. Juvenilia se losteia par Culs-de-sac que demonstram los Cheminos que aparetrem avante. Tù-t-é Confusiõ e Fleischa fur s’Esprito juno. Common devria-t-ella graspear questos Phenômenons infatomábeis? Ella exhibe ses Brestos fúlgidos commo Anserida seula e corporeosa a questas Angoishes que lhe hauntam. Son Cuerps è hecho thorolemente de Muscles tesos e rigidosos que flauntam Virtù infinì que sola la Sanitad propra puode ostentar. Commo Résponsa àquilo tù que lui assola suas Grivanças mondãs, Juvenilia rolda sus Qualitads irreplaçábeis d’êstre onlamente inachavada, extemporaneosa.

- De suir bellemente - ella dì - tellamente francha e candida, de suir cesto que soi jo, c’é sufisante pur declarar que jo soi mymêsme, individuella, Nomenclatura uniqua ma vuelátil. Hai qualq’um capábel de me dechiphrar em minha úter Ubiquitad? Hai qualqu’uno chi mi dechira las Fleischas, las Chars hallucinatas de jun’Infanta?

Son Seignor la regarda fitamente, Observatiões d’uno que l’accompagna depuois Periods lungos. É hárduu dicere qu’él mantiene uma Demenura deçù, poisque ses Óquios són factamente blandos e sinexpressionatos. Nadie, nada, persona lui distingua qual Sort de Abattemento covre son Crâno. Hai sumachosa de comprehensiblo n’aquilo que nostras Fâncias divisam? Il n’y há ningun’Idéa qu’arriva aoux dois Individuus sur l’Essença de sons Surrondimentos. Apròs gazar Silyuettas pleinas de Junezze, il fò ateindgrir un Trèholdo, um seuílio de Conciônezze sur ono’s Ojeto d’Análysì. Quellas són las Òvras fatas de cestas Generatiões uniquas e interminábeis?

Suarmas de grand’Afflictiões se revuelvem aoutourno de Juvenilia. Ella prendre un Sete de Carts. Indulgindo em Remembrâncias vetustas, que traversam sus propras Cognitiões, ella rappela Nuites de Fumes, de Mistas brumosas, Bruillardas que lhe covrem tod’o Temperamento.

- Quel è thin’Enjeu? – lui demanda son Maîstre que la stara de certena Distancea.

Ella lui fa peu d’Attentiõ, encravada on sus Devisamentos d’aquellos Tiemps oscuri e nimbosi, quand Vox de Cigarettas ecoavam sovre sus Deslizamentos de Maladias personales. Apanha dans l’Aire Beautesas que lhe éschapavam toujours, ma no las apprehende veramente. Són Musicalidades meltand sur suas Temples, donand-lhe Têstedouleuras, cancrand sua Mentalitad tù pervasiva, tù misguidante sovre los Champs qu’ignora.

- Ouïamos la Músique d l’Eáucqua. – Juvenilia prya suppliante. – Cueille-me Smokas ripas fur adornar-me as Guirlandas de meus Whimos, de mes Velleità. Branchos sèches, Bones dessechados, ils tùs rempliam minha Skulla nacarada, couchand doulcemente sor la Surfacie véquia qu’heirdei des Generatiões previosas, lasquellas m’hão jetada aoux mes Giorni. Minha Giornata d’ayer è la misma d’hoy, blurradas soub as Curlas de ma Chevelura copiousa.

Ona Perturbatiõ, ona Falta-de-Repos embraça sus Chagrinas, claimand por Larmas expurgadas. Elle se sent commo desencorpada, excorporeosa. As Fumas que la surroundam són Vagues de Perceptiõ que lui atteindrem commo étrangeros Spectaclos. Sensos de Nõ-Pertencença, de Lançamento exterior. Juvenilia se desregla em meio a uma Foule de Pensatas. Sus Pensieri són lasquelles d’algun’autro; sus Pensieri, comprimidos in um Spaço de deux Doigts, són Réflexiões executadas au-dehors d’elle-mêsme. Elle è commo totabsortiva, nunc e por tosdías. Leiada sur sus Âlmes voladas, Juvenilia pussa aquellos Crys d’Enfantina, falseand una Presence que nõ tien. Són Falsettos qu’éschapam de sua Gorja blancha, criand ses Palais-de-Verre insustenabiles dans la Finezze del Aire. Più qu’ell’entraîna sus Aspiratiões de Libertà e Grâzia, più Juvenilia s’engulfa dens les Erreurs que non sõ suyos. Lo que más ell’essaya de pratiquar ès su Qualitad de juven Maide. Desarrolla-se em Fábriquas qu’encapsulent suas Líneas, emportent sor ses Formes certos Diseños arabesquos, qualquas Couleures plutôt pictóriquas. És um Ventre que nõ conceive seus Fruits dûs, árida Glace de fines Demesnes.

Elle, Individuu rasé, Char intrespassable, Juvenilia. Les Événementos ocurren tùs sor um Plan de Éloignemento, de Non-Interactiõ.

Quoi fare? Ella commo no se appartient, commo no s’expand en si-mêsme. Compressa-se em Autoêstre, indéfinie a tù que la envuelve. Soy commo jetada a des autres Spazi, a des autres Domainos au-dehors de minha Portada. Et si jo no belongo mismo à mi propro Tiemps, à l’Époqua qu’è à mi sola, que podrei jo denstro de ma Cage d’Horloges-de-Sable, enjailada bajo les Barreaux de Rêvos insustenuti? Rêvos che nõ sõ à moi, Rêvos che m’envahem con Rágia feroce et Ímpetus sinmercicordioso.

- Et si tu nõ appartiens mismo à tut’una Generatiõ? Lui inquira son Maîstre, son Paterfigur. Ès possible che nõ exista più, che sea Sueño de sus própres Projectiões, Nuage infindável de Concrétude dechirata.

- Alas! Hélas! Quelle Misère... Jo que tù manjo, tù devouro, jo que soy Fleischa una e Matière tangíbel! Jetada au Esfalecimento, lançata aux Bruits de Foames inconcrètes! Quelle Horreur!

- C’est l’Heure. Il faut que tu dormes.

És sola Olvido, seule Oubli, ganz Oblivion.

7 comentários:

  1. deuses! deve ter sido mais difícil escrever do que foi para ler... belo experimento (:

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  2. Muito bem escrito, muito experimental. Foi uma dor de cabeça pra ler, não sei muito bem porque esta mistura de linguas latinas, talvez se trate de um tema que é em si latino por excelência, ou talvez a mentalidade das personagens seja latina. Mas não importando o esforço aplicado e a complexidade do texto, achei-o insondável demais e sinceramente cheguei ao final do texto ainda confuso sobre a sua proposta. Enfim, de qualquer modo ficam aqui os meus parabéns, e aguardamos uma resposta sua :)

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  3. Agradeço os comentários!

    Bom, gostaria antes de falar da imagem do Matisse, que coloquei talvez como se faz uma citação. Ela pode vir como uma suposta explicação a posteriori para algo que eu já tinha feito. Tentei abordar as palavras antes como formas de uma composição do que pelos seus significados.

    Além disso, é claro que o texto tem um caráter extremamente pessoal, o que mostra que - confesso - é possível que eu o tenha escrito de fato para mim mesmo. Ou para não ser decifrado. Acho que esperava transmitir esta atmosfera de indefinição que pretendi criar.

    Apesar de a linguagem (não sei seria este o termo adequado) ser evidentemente latinizada, não tentei buscar uma unidade etimológica, pelo contrário, queria acentuar a mutabilidade e a indistinção dos idiomas. Isso teria alguma conexão com o confuso estado de espírito das personagens.
    O título, também vindo como justificativa a posteriori, refletiria esse pretendido movimento das personagens-idiomas. Seria o idioma a própria personagem sobre o plano estilístico?
    Acho que o motivo real para que eu tenha escolhido o título deve provavelmente ser o mero fascínio pela ideia e pelos termos no lugar dessas explicações elaboradas.


    Entretanto, são apenas especulações... Não tenho nada conclusivo.

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  4. Sim, tinha entendido este efeito de misturar os idiomas pra criar uma imagem de movimento e mutação, mas achei que existia um motivo na escolha de línguas latinas. Mas de qualquer maneira, muito bom, obrigado por postar :)

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  5. O motivo é que são as línguas que supostamente eu mais domino, se preciso dizê-lo.

    Bem, eu que agradeço, o prazer é meu!

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