quinta-feira, 5 de agosto de 2010

'tudo o que gira parece a felicidade'

"Sofrimento: s.m Dor física ou moral; padecimento, amargura. / Desgraça, desastre."
-Dicionário Aurélio Online

É muito fácil dizer por aí que 'o ser humano gosta de sofrer'. É meio idiota imaginar que alguém venha a gostar de se fazer passar por situações ruins, que lhe causam dor de uma maneira ou outra. Claro que sempre existe o sado-masoquismo, mas não é disso que eu estou falando... Eu estou falando de dor emocional, de querer se afogar em álcool 'pra ver se a dor passa'.
Falando em álcool, existe essa relação estranha do ser humano com álcool: ama ou odeia. Pra quem odeia, não tem jeito. Pra quem ama, há perfis básicos: aquele que bebe socialmente - que é considerado normal, aquele que bebe pra comemorar - muito associado ao primeiro, aquele que bebe porque bebe e isso acontece sempre - esse é muito mal-visto pela sociedade, de modo que é popularmente conhecido como 'alcoólatra' e há aquele que bebe para melhorar - também conhecido como 'afogar as mágoas'. Claro que estou sendo simplista, mas o meu objetivo não é analisar os tipos de consumidores de álcool e por que diabos eles bebem...
Seja como for, acontece que quem está passando por um momento de sofrimento intenso (ou que simplesmente sofre e ponto) tende a fazer um uso sério do álcool. Entre as razões pro qual isso acontece a gente tem o motivo básico: sair com amigos e se divertir são ótimas dicas pra se livrar da amargura; e o álcool, bom... O álcool tá lá. Por outro lado, 'tudo o que gira parece a felicidade' e a gente precisa de algo confortável em que se apoiar (especialmente em momentos difíceis).
Quando a gente perde alguém muito próximo é impossível acreditar que a vida há de continuar, com ou sem a pessoa. Têm coisas que acabam mesmo se você não for embora. Mas a gente precisa passar pelo sofrimento: ele é parte do processo de perda. Só que isso não quer dizer que a gente sente prazer em sofrer (nem que a gente optou por sofrer): quem foi que disse que a gente tinha escolha? Claro que você poderia não ter se apaixonado por aquela pessoa e ter uma vida muito mais triste (muito mais sofrida?), mas a gente gosta de segurança. E as vezes a gente encontra segurança no simples olhar de alguém.
Nós precisamos do sofrimento, mas não porque nós queremos, e sim porque é só sabendo como algo machuca que nós descobrimos quão bons são os outros sentimentos. É só por se sentir bem ao lado de alguém que sentimos saudade depois.
Termina que a gente não gosta de sofrer... A gente só precisa sofrer pra continuar garantindo a nossa existência. Claro que a gente não tem escolha, mas a gente precisa saber sofrer pra poder se sentir bem algum dia.




(agradecimentos ao Arthur Nestrovski por emprestar o título do texto, ao Fábio Moon e Gasbriel Bá pelos quadrinhos. e dedico esse esboço rápido ao Bacana - que ensinou pra Lygia e todos nós o que é sofrer e sorrir - e pra mais um punhado de gente que vai notar que é pra eles)

8 comentários:

  1. ''Não haveria luz se não fosse a escuridão.''

    Concordo plenamente com o texto. E acho que os sentimentos ''ruins'' servem, também, para intensificar os ''bons''.

    Ótimo post, jú.

    ResponderExcluir
  2. Jú!! Ótimo texto, eu iria escrever algo parecido, mas na minha versão eu tinha substituído o álcool por cigarros e chocolate!

    Eu ainda acredito que nós gostamos de sofrer. Tudo que fazemos sempre possibilita um sofrimento!
    Bom, deixarei o meu pensamento para um texto.
    Saudades de ti.

    ResponderExcluir
  3. aaaaw, obrigada, queridos!

    Will, eu super te encorajo a escrever o seu texto e publicá-lo! fiquei super curiosa.
    quanto a álcool, cigarros e chocolate, eu acho que a relação do álcool com o nosso sofrimento é mais visível do que com chocolate e tabaco, mas isso a gente discute outro dia (me encontre no skype! adoraria conversar sobre isso contigo!)

    saudades de ambos...

    ResponderExcluir
  4. A última vez que nos falamos foi exatamente no dia 11/11/2008.
    Acho que vc nem se lembra mais de mim. Eu apareci do nada e deixei um scrap no seu orkut dizendo que queria alguém pra conversar. Acho que hoje sou menos sem noção...^^
    Mas, enfim, vim aqui pra te pedir pra passar no meu blog. Lá tem um post que eu fiz e que menciono você. O nome é "Your favorite internet friend". Lê ele. É bom te rever.
    Não sei. Sempre pretendi não ser efêmero e foi legal falar contigo mesmo que seja há dois anos atrás e nós nem nos conhecermos.

    Whatever. Os seres humanos me assombram. (Lembra?)
    Até....

    ResponderExcluir
  5. Se ainda não se lembrar, Júlia, meu nome é Saymon.

    ResponderExcluir
  6. eu ia responder aqui mesmo, mas achei melhor responder no seu blog (;

    ResponderExcluir
  7. É até meio cômico isso, não é verdade?
    Se você é péssima para se lembrar das coisas, eu tenho uma puta perda de memória recente! Coisa que me irrita horrores.. Juro que se eu não tivesse olhado o post sobre você de novo eu jamais teria me lembrado de te responder.
    Tudo começou depois daquele post. Eu comecei a tentar arranjar tempo e paciência pra achar nossas conversas no meio dos meus scraps que por algum motivo de Deus eu não apago (que nada, é só preguiça!). E lá se foram quase duas horas procurando sem parar, até ficar com a vista cansada. E terminei achando! Tava lá "Júlia Tessler disse". E eu levantei e disse: EUREKA! hahaha
    Fui lá, abri seu perfil e eu ia realmente deixar um scrap pra você mas aí vi no seu perfil: "Pra quem pensa que sabe escrever" e o endereço do seu blog. Caiu como uma luva!

    Então, esse lance de eu me lembrar das pessoas é seletivamente relativo. Acho que o que mais me faz lembrar de você ainda hoje foi a forma inusitada de como nos falamos, a fase pela qual eu passava naquela época e mesmo pelo fato de você ser aversa a estranhos e principalmente na internet (coisa que eu assino embaixo e admito mil vezes o meu 'nonsense'...), não houve um repugno. Você simplesmente me ouviu e me aconselhou. Coisa que muita gente conhecida não estava fazendo... Sinceramente eu tentava nutrir um contato maior, do tipo que se fala no msn, se dá bom dia e pergunta como estão as coisas. Mas aí nos afastamos, com a correria de vestibular eu tive menos tempo ainda (e passei!^^) e eu me desliguei do mundo virtual.

    Mas essa é a grande questão. Você apenas é. Não faz parte da idéia de presente ou de passado. E eu sou assim mesmo, nostálgico, extremamente pensante no passado. Mas pelo menos agora, sem esquecer o futuro.

    Tô tão feliz porque você respondeu!^^

    AAhh... E pasme: eu lembro do Octávio, também!
    Mande um abraço a ele... hahaha

    ResponderExcluir
  8. Pois bem, querida Júti, depois de ler tantas-vezes-que-nem-sei, senti que deveria escrever algo.
    E como tudo é muito verdade. O trágico é que passamos a vida inteira para aprender a sofrer. E, assim, passamos a vida inteira para aprender a se sentir bem de verdade.
    Pego as palavras do Willie para falar que, ahn... Chocolates são meu álcool. Enfim. E, ainda mais, são a maior metafísica que existe, não é mesmo.
    Os quadrinhos são lindos.

    Abraço apertado,
    Lála.

    ResponderExcluir