quarta-feira, 12 de agosto de 2009
não declarada, incessante, aberta,
escandalosa.
O vento bate, grudando areia no sangue fresco,
ainda não coagulado,
atraindo moscas para um banquete putrefato,
um festim de corpos de velhos,
mulheres e crianças,
impiedosamente massacrados,
cortados pelos caninos da máquina do tempo,
esmagados pelos molares duros e cruéis da vermelha máquina de guerra
constituída por homens e espadas, cascos e cavalos.
Os corpos apodrecem rapidamente sob o sol,
enquanto a areia os cobre, implacável.
É bom as moscas se apressarem.
sábado, 8 de agosto de 2009
Até que chegue o fresco do dia
Parei em frente ao quarto onde minha irmã vivia, abri a porta, e entrei num pequeno cubículo, praticamente vazio a não ser por uma cama velha sem colchão, e uma mesa de cabeceira com uma moldura em cima. Apesar do mofo, e dos tantos meses passados, o cheiro dela ainda permanecia naquele lugar. Era um fraco odor de fuligem. Fechei os olhos, tentando memorizar cada detalhe desta mórbida fragrância, pois era a única coisa que eu queria levar daquela casa. Fui até a mesa e peguei seu retrato onde estava montada em um cavalo marrom, cavalgando próximo ao lago. Estava tão livre, tão sem limites, seu rosto encontrava-se repleto de uma alegria contagiante. Abaixei a moldura, e disse adeus com um sussurro. ´´Eu nunca mais olharei em seus olhos de novo``.
Antes de sair me ocorreu de tirar uma foto da antiga galeria, onde meu pai guarda seus prêmios ganhos em concursos de pesca. Ainda hoje, quando estou sozinho, e embriagado, eu a pego, e fico me lembrando dos tempos onde eu ficava o dia inteiro na beira do riacho, tentando pegar um peixe como os que papai trazia. Nunca consegui nada maior do que a palma de minha mão, mas certa vez eu fisguei uma lata de milho, e a enterrei no quintal, como se fosse um tesouro. De qualquer modo, após abandonar a cabana e andar por alguns minutos, passei pela porteira que servia de entrada para a fazenda. O mais difícil havia passado, mas ainda faltavam sete quilômetros até o vilarejo mais próximo, e para chegar lá tive que andar por uma velha estrada de terra, que estava seca e empoeirada devido à forte estiagem daquele inverno. Respirei fundo antes de dar início à caminhada, tão fundo e tão forte, que pareceu que era a primeira vez que os meus pulmões eram completamente preenchidos pelo ar. Olhei para trás uma ultima vez, depois comecei a andar por aquele caminho que serpenteava as montanhas, e parecia não ter fim. Chegando à metade da jornada o medo do início já havia se transformado em euforia, de modo que apesar da fina garoa que começava a cair, e do forte vento vindo do oeste que gelava a pele, eu me sentia feliz.
Quando cheguei ao vilarejo a garoa havia cessado, e apesar do tempo continuar cinza, o sol estava forte. Fui até a padaria, que ficava na principal rua do lugar, e pedi uma xícara de café fraco. Enquanto tomava o líquido marrom em pequenos goles, perguntei que horas o ônibus para a cidade saia a um senhor vestido de azul, que estava lendo um jornal ao meu lado.
-Dez e meia- disse, sem olhar para mim.
Olhei para meu relógio: dez e vinte e três. Paguei o café, e corri até o ponto. Quando cheguei o veículo ainda não tinha saído. Era um ônibus azul e pequeno, com apenas duas portas, ele estava praticamente vazio à exceção de duas freiras sentadas no primeiro banco, um homem acompanhado de uma criança, e uma mulher que dormia com a cabeça no vidro da janela. Subi os degraus, paguei a passagem e me sentei sozinho no fundo. O motorista deu a partida, e depois de cinco minutos pegou a estrada rumo à capital.
Passei o início da viagem olhando os carros, e as paisagens pela janela, mas depois de algum tempo cochilei apoiado em minha mochila. Acordei devido a uma freada brusca, e bati minha cabeça no encosto do assento da frente. A dor veio instantaneamente, junto com o susto. Gritei um palavrão e levei a mão à testa. Quando finalmente me recuperei, e olhei pela pelo vidro, a primeira coisa que vi foi um prédio enorme, acinzentado e cheio de janelas. Eu havia chegado à cidade, e tudo e tudo era simplesmente fascinante, desde os carros, até os outdoors gigantes. Antes que eu desse por mim o motorista veio em minha direção dizendo que a viagem havia acabado, e que era necessário descer do ônibus.
Não acho que valha a pena recordar aqui tudo o que aconteceu depois que pisei pela primeira vez naquele chão de concreto, e cimento. Logicamente, o deslumbramento não durou muito, em pouco tempo ele foi substituído por aquele aperto que dá no coração de todos que abandonam sua terra natal, esse aperto que repete insistentemente a palavra lar quando estou sozinho e em silêncio. Me virei como pude e como não pude para conseguir um salário que mal dá para uma cervejinha no final da semana, e uma cama que não atenua meu perene cansaço.
Aprendi com o passar do tempo que todos aqui têm muita pressa, pressa para comer, pressa para andar, pressa para dirigir, pressa para conversar. Até mesmo o sol deste lugar parece que está sempre atrasado em sua marcha no horizonte. Certa vez, enquanto ia para o trabalho, resolvi parar e cumprimentar um sujeito na rua. Nada demais, apenas sorri e disse bom dia da maneira mais educada possível. Mas ele não deu atenção, e continuou andando como se nada tivesse acontecido. Neste dia aprendi que não era só a calçada em que eu pisava que era feita de concreto. Assim como o céu opaco e vazio de todas as noites, acho que o coração das pessoas daqui vai se tornando aos poucos cada vez mais frio e cinzento. E eu não era exceção, transformei-me lentamente em um clichê de trabalhador subempregado e infeliz da era neoliberal.
Até o dia em que resolvi voltar. Não sei exatamente como, ou o porquê deu ter tomado essa decisão, só sei que no dia vinte e um de janeiro de 2004 eu voltei para a estação. Nesse dia eu não acordei de madrugada, não senti meu coração bater mais rápido ou minhas mãos suarem nem nada, acordei da mesma maneira em que acordo todos os dias, e com a mesma calma com que uma idosa rega suas plantas eu abandonei os meus pertences, e fui apenas com a roupa do corpo e alguns trocados pegar o mesmo ônibus azul que me levara.
A viagem foi a mesma de antes, à exceção apenas de que dessa vez o ônibus estava bem mais cheio. Chegando no ponto final, me surpreendi ao notar o tanto que aquele pequeno vilarejo crescera.A modesta padaria onde outrora eu tomei um cafezinho transformara-se num imenso supermercado, e mesmo a antiga estrada de terra que passava por minha casa agora era asfaltada. Caminhei lentamente por ela, sem medo ou euforia, sem remorso ou frustração. Apenas andei na marcha resignada e cansada de um menino que voltara homem.
Cheguei no lugar onde deveria estar a cabana de madeira que meu avô construíra, e sem perceber desandei a chorar, um choro forte, choro preso por seis anos. A cabana não existia mais, no lugar dela havia uma imensa plantação de milho que se estendia até aonde a vista conseguia alcançar. Mais tarde, quando me recompus um pouco, descobri na fazendo que a família que vivia ali antes havia vendido o terreno, e se mudado para a cidade. Cheguei a considerar a idéia de voltar para a capital e encontrar meus parentes, mas logo desisti. É uma pena, mas acho que foi melhor assim. Depois disso apenas continuei seguindo a estrada(que após alguns quilômetros voltara a ser de terra), em direção a um lugar que tenha algumas árvores, um córrego, e onde eu talvez possa construir um lar.
Possíveis falhas nos sist. -- .-s de comunicação
A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão . -. ...- --- .-.. ...- .. -.. --- ... neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face-a-face, ou através de --. . ... - --- ... com as mãos, mensagens enviadas utilizando a rede --. .-.. --- -... .- .-.. de telecomunicações, a fala, a escrita que permitem interagir -.-. --- -- as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca .. -. ..-. --- .-. -- .- -.-. .. --- -. .- .-..
Sabe-se --.- ..- . os sistemas de comunição estão sujeitos a falhas constantes que, às ...- . --.. . ... , impedem as pessoas de se comunicarem umas com as outras. O próximo objetivo nesta área deve ser tornar os sistemas menos sujeitos a falhas que impossibilitem a compreensão das-- . -. ... .- --. . -. ... transmitidas.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
On Munch's "Love and Pain"
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
samba da política brasileira pro seu povo
tecu tuco
tecu tuco
não me cutuca
tecu tuco
tecu tuco
tecu tuco
An Imitation of Blake
As I wept in valleys wild
Crying out in bowers green,
From a tree came out a child
Whom to others rest unseen.
“Why art thou in such a woe?”
- Oh, you’ll never understand.
So he glanced inside my soul
And then took me by my hand.
“Look the trees, the joy of spring,
See the bower, the smiling lea,
Hear the birds, they happily sing,
Feel the nature lean to thee.
These trees shall forever stay,
This bower will forever be,
Death will take these birds away
But others then shall sing to thee.
But thou shalt not forever stay
Neither shalt forever be.
One day, alas! The icy clay
Shall shut thy earthly revelry.
But if thou lovest thy living breath
And everything to thee is mild
Why canst thou love also thy death?”
And then I looked that merry child:
And I hugged him close to me,
And we played until we sate,
And when I close my eyes I see
That smiling boy, and call him Fate.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Carta de recepção - Clube da Maioridade
domingo, 2 de agosto de 2009
A Fulminação Figural
fúria,
pernas
milípedes
erguem-se abruptas
às caudas febris e copiosas
que sustentam as veste de uma dama.
É o assombro, - - - - - - - - - - - - - - - - - – feminil e delicioso,
a se iniciar - - - - - - - - - - - - - - - - - - de uma maneira grotesca.
A dama mira enfastiada e incerta, repleta de desconfiança, sem demonstrar
Ganchos,
enquanto
estes
se
alçam
contidos
nas
unhas
das
miriápodes,
identificam-se qualidades
- - - - - - - que se derrubam.
Dama icônica
a portar
cor herética,
a trotar
sem estética,
a falar
voz lacônica.
Ela carrega no busto a vez da Folia.
As vagas do vestido roxo que amacia
são chagas do sentido denso de Poesia,
um rodopiar coxo de melancolia.
Fragrâncias de redundâncias em abundância,
constâncias e ânsias de extravagância.
Falta-lhas!
Manca!
Trôpego
e
sôfrego
ritmado
em veleidade
sem austeridade,
A Grande Leviandade.
Dama, Subtil Frivolidade.
A atrocidade jocosa
de motejo do ensejo,
a atrocidade chistosa,
lança-lhe à artilharia.
Dama à vanguarda,
que não se impõe
à concretude de atos,
torna a se esquivar
e a se expandir.
O corcel do crescimento, simples esquecimento, inibe toda a vastidão
que se tem esmagada dentro de vielas do intelecto, onde é gerada
A progressão unânime
esgota a dama pusilânime.
