"Sofrimento: s.m Dor física ou moral; padecimento, amargura. / Desgraça, desastre."
-Dicionário Aurélio Online
É muito fácil dizer por aí que 'o ser humano gosta de sofrer'. É meio idiota imaginar que alguém venha a gostar de se fazer passar por situações ruins, que lhe causam dor de uma maneira ou outra. Claro que sempre existe o sado-masoquismo, mas não é disso que eu estou falando... Eu estou falando de dor emocional, de querer se afogar em álcool 'pra ver se a dor passa'.
Falando em álcool, existe essa relação estranha do ser humano com álcool: ama ou odeia. Pra quem odeia, não tem jeito. Pra quem ama, há perfis básicos: aquele que bebe socialmente - que é considerado normal, aquele que bebe pra comemorar - muito associado ao primeiro, aquele que bebe porque bebe e isso acontece sempre - esse é muito mal-visto pela sociedade, de modo que é popularmente conhecido como 'alcoólatra' e há aquele que bebe para melhorar - também conhecido como 'afogar as mágoas'. Claro que estou sendo simplista, mas o meu objetivo não é analisar os tipos de consumidores de álcool e por que diabos eles bebem...
Seja como for, acontece que quem está passando por um momento de sofrimento intenso (ou que simplesmente sofre e ponto) tende a fazer um uso sério do álcool. Entre as razões pro qual isso acontece a gente tem o motivo básico: sair com amigos e se divertir são ótimas dicas pra se livrar da amargura; e o álcool, bom... O álcool tá lá. Por outro lado, 'tudo o que gira parece a felicidade' e a gente precisa de algo confortável em que se apoiar (especialmente em momentos difíceis).
Quando a gente perde alguém muito próximo é impossível acreditar que a vida há de continuar, com ou sem a pessoa. Têm coisas que acabam mesmo se você não for embora. Mas a gente precisa passar pelo sofrimento: ele é parte do processo de perda. Só que isso não quer dizer que a gente sente prazer em sofrer (nem que a gente optou por sofrer): quem foi que disse que a gente tinha escolha? Claro que você poderia não ter se apaixonado por aquela pessoa e ter uma vida muito mais triste (muito mais sofrida?), mas a gente gosta de segurança. E as vezes a gente encontra segurança no simples olhar de alguém.
Nós precisamos do sofrimento, mas não porque nós queremos, e sim porque é só sabendo como algo machuca que nós descobrimos quão bons são os outros sentimentos. É só por se sentir bem ao lado de alguém que sentimos saudade depois.
Termina que a gente não gosta de sofrer... A gente só precisa sofrer pra continuar garantindo a nossa existência. Claro que a gente não tem escolha, mas a gente precisa saber sofrer pra poder se sentir bem algum dia.
(agradecimentos ao Arthur Nestrovski por emprestar o título do texto, ao Fábio Moon e Gasbriel Bá pelos quadrinhos. e dedico esse esboço rápido ao Bacana - que ensinou pra Lygia e todos nós o que é sofrer e sorrir - e pra mais um punhado de gente que vai notar que é pra eles)
''Não haveria luz se não fosse a escuridão.''
ResponderExcluirConcordo plenamente com o texto. E acho que os sentimentos ''ruins'' servem, também, para intensificar os ''bons''.
Ótimo post, jú.
Jú!! Ótimo texto, eu iria escrever algo parecido, mas na minha versão eu tinha substituído o álcool por cigarros e chocolate!
ResponderExcluirEu ainda acredito que nós gostamos de sofrer. Tudo que fazemos sempre possibilita um sofrimento!
Bom, deixarei o meu pensamento para um texto.
Saudades de ti.
aaaaw, obrigada, queridos!
ResponderExcluirWill, eu super te encorajo a escrever o seu texto e publicá-lo! fiquei super curiosa.
quanto a álcool, cigarros e chocolate, eu acho que a relação do álcool com o nosso sofrimento é mais visível do que com chocolate e tabaco, mas isso a gente discute outro dia (me encontre no skype! adoraria conversar sobre isso contigo!)
saudades de ambos...
A última vez que nos falamos foi exatamente no dia 11/11/2008.
ResponderExcluirAcho que vc nem se lembra mais de mim. Eu apareci do nada e deixei um scrap no seu orkut dizendo que queria alguém pra conversar. Acho que hoje sou menos sem noção...^^
Mas, enfim, vim aqui pra te pedir pra passar no meu blog. Lá tem um post que eu fiz e que menciono você. O nome é "Your favorite internet friend". Lê ele. É bom te rever.
Não sei. Sempre pretendi não ser efêmero e foi legal falar contigo mesmo que seja há dois anos atrás e nós nem nos conhecermos.
Whatever. Os seres humanos me assombram. (Lembra?)
Até....
Se ainda não se lembrar, Júlia, meu nome é Saymon.
ResponderExcluireu ia responder aqui mesmo, mas achei melhor responder no seu blog (;
ResponderExcluirÉ até meio cômico isso, não é verdade?
ResponderExcluirSe você é péssima para se lembrar das coisas, eu tenho uma puta perda de memória recente! Coisa que me irrita horrores.. Juro que se eu não tivesse olhado o post sobre você de novo eu jamais teria me lembrado de te responder.
Tudo começou depois daquele post. Eu comecei a tentar arranjar tempo e paciência pra achar nossas conversas no meio dos meus scraps que por algum motivo de Deus eu não apago (que nada, é só preguiça!). E lá se foram quase duas horas procurando sem parar, até ficar com a vista cansada. E terminei achando! Tava lá "Júlia Tessler disse". E eu levantei e disse: EUREKA! hahaha
Fui lá, abri seu perfil e eu ia realmente deixar um scrap pra você mas aí vi no seu perfil: "Pra quem pensa que sabe escrever" e o endereço do seu blog. Caiu como uma luva!
Então, esse lance de eu me lembrar das pessoas é seletivamente relativo. Acho que o que mais me faz lembrar de você ainda hoje foi a forma inusitada de como nos falamos, a fase pela qual eu passava naquela época e mesmo pelo fato de você ser aversa a estranhos e principalmente na internet (coisa que eu assino embaixo e admito mil vezes o meu 'nonsense'...), não houve um repugno. Você simplesmente me ouviu e me aconselhou. Coisa que muita gente conhecida não estava fazendo... Sinceramente eu tentava nutrir um contato maior, do tipo que se fala no msn, se dá bom dia e pergunta como estão as coisas. Mas aí nos afastamos, com a correria de vestibular eu tive menos tempo ainda (e passei!^^) e eu me desliguei do mundo virtual.
Mas essa é a grande questão. Você apenas é. Não faz parte da idéia de presente ou de passado. E eu sou assim mesmo, nostálgico, extremamente pensante no passado. Mas pelo menos agora, sem esquecer o futuro.
Tô tão feliz porque você respondeu!^^
AAhh... E pasme: eu lembro do Octávio, também!
Mande um abraço a ele... hahaha
Pois bem, querida Júti, depois de ler tantas-vezes-que-nem-sei, senti que deveria escrever algo.
ResponderExcluirE como tudo é muito verdade. O trágico é que passamos a vida inteira para aprender a sofrer. E, assim, passamos a vida inteira para aprender a se sentir bem de verdade.
Pego as palavras do Willie para falar que, ahn... Chocolates são meu álcool. Enfim. E, ainda mais, são a maior metafísica que existe, não é mesmo.
Os quadrinhos são lindos.
Abraço apertado,
Lála.