Sabia que não havia mais como adiar a conversa. 'A hora é agora', pensei. Minha mente me dizia para seguir, mas meu corpo não respondia. Consegui convencer a mim mesma que precisava de um copo d'água. 'Um cigarro seria o ideal', mas as circunstâncias não permitiam.
Fui até a cozinha. Tremia tanto que cheguei a pensar que quebraria a garrafa d'água a qualquer momento. Um gole. Outro gole. Um pequeno gole e o som de vidro de estilhaçando no chão.
-Está tudo bem aí, filha? - perguntava meu pai da sala, onde estava assistindo o jogo de futebol.
-Claro... Só quebrei um copo. - seria possível que até a minha voz tremesse?
Tratei de limpar a sujeira que fizera.
Tirei outro copo do armário. Mais água.
Lancei um olhar de soslaio para meu pai, que estava distraído demais com o jogo para notar que eu o observava. 'Meu maior medo'.
Som dos comerciais vindo da TV. Poltrona arrastando no chão de madeira. Som de passos lentos. 'É agora'.
Minha mão, apoiada em meu ventre, provou o que eu já imaginava: minhas vísceras se contraindo.
-Pai, eu preciso te dizer algo... - falei tão baixo que mal consegui ouvir.
-O que foi, filha?
-Eu estou grávida. - 'pelo menos não matei ninguém'.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
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Muito bom, Jú. Podemos falar literalmente que ela está 'parindo' (é, eu não tenho jeito mesmo...)
ResponderExcluirE que bom que os direitos autorais estão sob meu nome, porque aí eu posso roubar a idéia. MUAHAHAHA.
(te amo.)
quero ver o que vai sair de você a respeito disso (:
ResponderExcluirsorte a sua que eu te amo.
caraca, e como é que eu nunca tinha lido isso antes? Jú, que foda! você escreve muy bem, querida! :)
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