domingo, 14 de junho de 2009

Ele

Também pudera Lhe fazerem tamanha sacanagem... Ele sempre fora o assentimental, o rude, o cara, a rocha. Lhe passaram para trás de um modo vergonhoso, doído como ser enrabado por um elefante, frio como ter o corpo enterrado no mais absoluto zero do nada, cruel como matar a própria mãe, desprezível como em cumprimentar um amigo e receber como réplica um chute na cabeça.

Ele que sempre fora tão correto, tão escrupuloso, ser esfaqueado por um menino com aparência de bonzinho e desejo de si mesmo! Um produto de sua própria estirpe, um bêbado por sua própria condução! Chega a ser irônico, o outro, o grande amigo, ganhando tudo que Ele sempre quis! Porra, a vida havia sido não de todo errada ao Lhe dar tanta pompa, tanta grandeza. Tudo o que Ele queria era não ter sido Ele por dois minutos, para poder testemunhar a sua queda. Seria como ver Ali cair frente a Foreman, como ver a Índia de Gandhi ser subordinada aos ingleses, como observar atentamente um casulo se abrindo, para testemunhar o nascimento de uma borboleta cujas asas não estão totalmente formadas e ascende lindamente ao chão, para nunca se erguer.

Também pudera, Ele sempre fora a rocha, o bastião, o pináculo, o condutor, o líder, o rei, o intocável... Chegava a ser engraçado...

O grande problema de se sacanear rochas, é que elas não perecem. O grande problema de se matar um intocável, é que ele não morre. O grande problema de se derrubar um prédio, é que o bastião permanece sempre de pé, o fogo do altar permanece sempre aceso. E nunca se apagará.

Um comentário:

  1. Hmm, não gostei muito desse, não que esteja mal escrito, mas depois de ler seu outro texto eu esperava mais. Continue postando!

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