sábado, 10 de abril de 2010

Sempre caro me foi este simples arco
e não estes prédios, que de tanto céu
e da última serra a visão bloqueiam.
Mas sentada enquadrando as paisagens
que escapam deles, e além-homens
silêncios, e profundíssima paz
eu tento inventar, mas logo
o coração meu se descompassa. E como o trem
ouço rugir sob este viaduto, eu aquele
impossível silêncio a esta fúria
vou comparando: e me foge o eterno,
e os quietos tempos, e o presente
fica, e o desespero dele. Assim entre
esta agitação se perde o pensar meu:
e o naufragar me seria doce sob estes trilhos.




"Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell'ultimo orizzonte il guardo esclude
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quella, e sovrumani
silenzi, e profondissima quïete
io nel pensier mi fingo, ove per poco
il cor non si spaura. E come il vento
odo stormir tra queste piante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Così tra questa
immensità s'annega il pensier mio:
e il naufragar m'è dolce in questo mare"

Giacomo Leopardi

3 comentários:

  1. Genial, muito muito bom. Trabalhar com um dos poemas mais famosos do Leopardi é arriscado, mas ver isso que você viu no poema e escrever essa espécie de tradução livre foi genial, mesmo! Parabéns Amanda!

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  2. HAHAHA. Muito bom, 'Manda. (:
    Vai fazer isso com todos os 'atrativos turísticos' de BH?

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  3. Brigada, Gui e Dan, de verdade.
    Acho que foi só ter a ideia e esperar a inspiração vir para as palavras... o ritmo que o Leopardi deu é incrível, funciona absurdamente bem. O mérito é dele.

    E não pretendia fazer isso com todos os atrativos de BH, mas já que vc comentou, quem sabe...? A ideia era fazer com alguns outros poetas italianos... vamos ver o que sai.

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